quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Indonésia ordena que população deixe região próxima a vulcão

da Efe, em Jacarta

As autoridades da Indonésia ordenaram a retirada forçada das pessoas que vivem na região do vulcão Kelud. Entretanto, muitas delas se recusam a deixar suas casas, apesar do alerta de analistas de que uma erupção pode acontecer a qualquer momento.

"Temos que fazer isto deste modo, pela segurança das pessoas. Se não as obrigarmos, elas não sairão da área de risco, apesar das advertências do governo", declarou o chefe de polícia do distrito de Kediri, Tjuk Basuki, ao jornal "The Jakarta Post".

Várias patrulhas da Polícia percorrem as encostas do Kelud, que tem 1.713 metros de altitude, obrigando os moradores das localidades situadas num raio de dez quilômetros da cratera a subirem em caminhões que os levarão para abrigos seguros.

"Embora seja uma evacuação forçada, disse a meus homens para não usarem a força. Aqui a persuasão é mais efetiva que a coação", disse Basuki.

Das 40 mil pessoas que vivem nas áreas de risco do distrito de Kediri, 28 mil já foram transferidas para acampamentos temporários.

A última vez que o vulcão entrou em erupção foi 1990, ocasião em que 16 pessoas morreram. Em outra ocorrência como essa, em 1919, os mortos foram cerca de 5.000.

Previsão

Muitos habitantes não querem deixar suas casas com medo de terem seus pertences roubados. Para permanecerem no local, vários usam o argumento de que o "adat" (vigilante espiritual do vulcão), um indonésio de 64 anos chamado Mbah Ronggo, ainda não previu a erupção do Kelud.

No entanto, a Polícia conseguiu convencer Ronggo a ser evacuado, o que pode levar muitos a seguirem-no.

"Vim (para o refúgio) porque a polícia me pediu e disse que é preciso garantir que as outras pessoas fiquem a salvo", declarou o "adat", que, segundo a tradição javanesa, vigia os vulcões e se encarrega de manter a harmonia entre o homem e a montanha por meio de cerimônias e outros atos.

"No entanto, fiz um ritual no topo do Kelud e acho que ele não vai entrar em erupção. Ainda não chegou a hora", acrescentou Ronggo.

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